Este Guia do Estudante Online [e-GEO] procura servir de orientação para o estudante neste tipo de ensino, apresentando, em traços gerais, os aspectos mais relevantes de que se reveste. Aspectos mais concretos, relativos a cada curso ou disciplina em que o estudante se inscreva, serão divulgados em documentos próprios pelos coordenadores dos cursos. O E-GEO foi elaborado de acordo com um Modelo Pedagógico do Ensino Online desenvolvido para os cursos de pós-graduação do Departamento de Ciências da Educação da Universidade Aberta. Significa isto, que, nestes cursos existe uma filosofia pedagógica, um modelo pedagógico de suporte que orienta não só o processo de ensino – a concepção dos módulos/disciplinas, a tutoria) mas também o processo de aprendizagem.
É pois neste quadro que surge este Guia. Por isso, ele pretende ser um dispositivo de apoio ao Estudante que frequenta, ou que pretenda vir a frequentar, um desses cursos. Ficará assim, com uma ideia do que lhe é exigido e da nossa filosofia do Ensino Online.
Ser estudante do Ensino Online implica, entre outros aspectos, a adaptação a um conjunto de situações novas que implicam uma aprendizagem inicial com as quais não se encontra ainda familiarizado. Na verdade, o percurso académico de qualquer estudante está naturalmente muito marcado pela interacção e comunicação presencial. Foi esta a experiência que teve ao longo de toda a sua formação. Ora, a comunicação e a interacção nos ambientes virtuais de aprendizagem – o Ensino Online – é diferente e exige a aprendizagem de diversos aspectos:
Ser Estudante Online implica que irá enfrentar uma curva de aprendizagem à medida que se adapta ao contexto online e à tecnologia. Esta curva de aprendizagem tem uma extensão variável, dependendo da situação de partida do estudante. Por isso, no início de um curso, qualquer estudante se encontra num determinado ponto de um continuum, adquirindo ou aprofundando as competências necessárias à medida que explora o ambiente virtual e realiza as tarefas. Significa isto que a partir do momento em que estiverem realmente adquiridas essas competências, o estudante está preparado para se dedicar inteiramente ao curso propriamente dito. A tecnologia, a Sala de Aula virtual, as características do ambiente online tornam-se transparentes não interferindo no processo de ensino-aprendizagem dos módulos/disciplinas. É por tudo isto, que qualquer dos nossos cursos é antecedido por um módulo inicial de Ambientação à Plataforma de eLearning e Ambientação ao Contexto Online.
O Ensino Online depende muito (embora em grau variável, consoante a abordagem pedagógica escolhida) do computador. Embora não tenha que ser um perito na sua utilização, o estudante deste tipo de ensino deverá possuir as competências básicas do ponto de vista do utilizador, que lhe permitam tirar o maior partido possível das funcionalidades e potencialidades à sua disposição, das quais se destacam:
Das ferramentas essenciais para poder frequentar um curso online, destacam-se as seguintes:
No início do curso em que se inscrever, terá oportunidade de praticar ou adquirir muitas destas competências, utilizar as ferramentas referidas e familiarizar-se com as funcionalidades da plataforma que irá ser utilizada para desenvolver o Ensino Online. No entanto, caso sinta que tem grandes dificuldades na utilização das ferramentas (programas) ou na execução das tarefas referidas (pesquisar na Internet, criar uma conta de correio, por exemplo), será talvez útil procurar desenvolver um pouco essas competências antes do início do curso. Assim, poderá concentrar-se mais na exploração das funcionalidades da plataforma e nas formas específicas de interacção do Ensino Online, o que lhe permitirá uma adaptação mais rápida e um melhor aproveitamento dos recursos disponíveis, que se traduzirão, seguramente, numa melhor experiência de aprendizagem.
Outras ferramentas muito úteis para gerir ou partilhar informação online incluem:
Dois aspectos fundamentais do Ensino Online são a organização do estudo e a gestão do tempo. Estes aspectos variam de acordo com o tipo de abordagem pedagógica adoptada (mais ou menos centrada no auto-estudo ou na colaboração, com maior ou menor grau de interactividade, etc.), mas revestem-se sempre de grande importância para uma aprendizagem bem sucedida.
O estudante deve ter uma ideia clara do que se espera de si, do tipo de actividades que deverá desenvolver e da forma como deverá fazê-lo, dos prazos que terá que cumprir e das formas como será avaliado. Estas informações serão, em princípio, apresentadas em documentos próprios do curso em que se inscreve. Sempre que tenha dúvidas, recorra ao(s) tutor(es) ou aos colegas no sentido de obter ajuda.
Na posse destas informações, procure estabelecer procedimentos de trabalho adequados, tendo em conta as exigências requeridas, as suas características pessoais e os condicionalismos vários que terá que gerir (vida pessoal e profissional, espaço(s) e tempo disponíveis para estudar e participar nas actividades online, etc.). Dão-se, em seguida, algumas sugestões de carácter geral que o poderão auxiliar:
A comunicação e a interacção no Ensino Online são quase exclusivamente baseadas na linguagem escrita. Todos os elementos complementares que ajudam à comunicação no contexto presencial (linguagem corporal, tom de voz, expressão facial, etc.) estão ausentes, gerando maior ambiguidade e mais dificuldades na interpretação do sentido do que se diz por parte dos outros interlocutores. Assim, deverá observar algumas regras básicas:
A natureza assíncrona dos fóruns de discussão (os interlocutores comunicam em tempos diferentes) exige algumas estratégias para poder gerir a informação produzida e a participação de forma eficiente, sobretudo nos cursos ou disciplinas em que este instrumento seja bastante utilizado. Assim, procure:

Como forma de comunicação síncrona (os interlocutores comunicam em tempo real), o chat é útil para actividades pontuais ou simplesmente convívio entre os participantes. As suas maiores limitações são: a exigência da presença simultânea dos participantes e a dificuldade em seguir as diferentes ‘conversas’ que se vão desenrolando, pelo que é mais eficaz quando o grupo envolvido é pequeno.
No entanto, há situações em que pode ser utilizado para discutir assuntos mais complexos e envolvendo um número maior de participantes, como é o caso dos chats moderados (há alguém, normalmente o Professor/Tutor, que faz a gestão da conversa e das participações), de brainstorming, troca de impressões sobre tarefas a desenvolver, estabelecimento de uma metodologia de trabalho a seguir (num trabalho de equipa, por exemplo), ou esclarecimento de dúvidas. Nestes casos, observam-se geralmente as seguintes regras:
Área de convívio, normalmente designada por "Bar", "Ciber-Café" ou expressões equivalentes, com uma estrutura típica de um fórum de discussão mas de carácter informal, onde os participantes podem trocar todo o tipo de informações, falar dos seus interesses, discutir os mais diversos assuntos, etc.
É um espaço de grande importância para a construção de uma comunidade de aprendizagem, onde os participantes podem conhecer-se melhor e desenvolver um espírito de grupo que aumenta em muito o potencial de aprendizagem no contexto online. Trata-se, pois, de um espaço social a que atribuímos grande valor e, por isso, no modelo pedagógico dos nossos cursos, é contemplada uma área de convívio onde é convidado a interagir.
O trabalho colaborativo é uma estratégia bastante utilizada no contexto online por permitir, através da interacção e da partilha de conhecimento entre os estudantes, criar uma situação de aprendizagem mais rica e diversificada:
« (…)a aprendizagem colaborativa é um tipo de aprendizagem que resulta do facto dos indivíduos trabalharem em conjunto, com objectivos e valores comuns, colocando as competências individuais ao “serviço” do grupo ou da comunidade de aprendizagem (…) e não significa “aprender em grupo”, mas a possibilidade de o indivíduo beneficiar do apoio e da retroacção de outros indivíduos durante o seu percurso de aprendizagem». Morgado (2001), Revista Discursos: Perspectivas em Educação, pp125-138.
Esse trabalho pode ser desenvolvido por todo o grupo, utilizando um fórum de discussão, ou, em alguns momentos, por pequenos grupos, sendo normalmente designado de “trabalho de equipa”. No primeiro caso, aplicam-se os aspectos já referidos a propósito dos Fóruns de Discussão. No segundo caso, há alguns aspectos específicos a ter em conta:
Tipicamente, as formas e instrumentos de avaliação utilizados no Ensino Online não são muito diferentes do que encontramos no ensino presencial ou no ensino a distância convencional: avaliação diagnóstica, formativa e somativa; testes, exames, ensaios, trabalhos de projecto, resolução de problemas ou portfólios são elementos que podem ser comuns aos vários contextos de ensino.
A avaliação no Ensino Online comporta, porém, alguns aspectos específicos. O estudante neste tipo de ensino poderá, em alguns casos, ter que realizar as tarefas de avaliação, parcial ou totalmente, no contexto online (de forma electrónica, por assim dizer), pelo que é essencial observar algumas das regras de segurança já referidas acima: copiar o material mais relevante do curso (incluindo informações e instruções) para o seu computador, preparar os textos ou outro tipo de contribuições offline e utilizar a técnica de copiar e colar (ou anexar os ficheiros) para os colocar na plataforma, ou guardar sempre uma cópia do que se enviou são algumas das práticas aconselháveis, sobretudo no que se refere a tarefas de avaliação.
Por outro lado, alguns dos instrumentos ou formas de avaliação utilizados poderão ter características diferentes daquelas que encontramos noutras modalidades de ensino, constituindo, dessa forma, uma experiência nova. Podem referir-se, a título de exemplo, a frequência e a qualidade da participação nos fóruns de discussão, a realização de sínteses de discussões ou a moderação de uma discussão (durante um determinado período de tempo).
A proficiência na utilização da tecnologia e do software e a familiaridade com as formas de trabalho e comunicação online contribuem fortemente para minimizar as eventuais dificuldades adicionais que o estudante pode experimentar na realização das tarefas de avaliação, pelo que se reforça a necessidade de aproveitar ao máximo o período de adaptação ao contexto online previsto no início do curso e de adoptar práticas adequadas e eficientes.
Por último, recorda-se um dos princípios básicos para o sucesso na avaliação em qualquer contexto: saber exactamente o que será avaliado, quando será avaliado, como será avaliado, qual a finalidade da avaliação e qual o peso relativo de determinada avaliação na classificação final. Se tiver dúvidas quanto a algum destes aspectos deverá procurar esclarecê-las tão cedo quanto possível, de modo a que possa organizar o seu trabalho para ter o melhor desempenho possível.